quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Dragon Quest IV: Chapters of the Chosen


Título
Dragon Quest IV: Chapters of the Chosen
Série
Dragon Quest
Gênero(s)
RPG
Console(s)
Nintendo DS
Publisher
Square Enix
Desenvolvedora
ArtePiazza
Rank pessoal
9.1/12
Personagem favorito
Herói/Heroína
Modo
SP
Inimigo mais difícil
Psaro the Manslayer
Ano de lançamento
1990
Ano jogado
2012
Dificuldade
Alta


    Dragon Quest é uma das franquias de RPGs japoneses mais tradicionais, ou, para ser mais exato, uma das mais influentes para o que hoje consideramos “tradicional” quando se fala em RPG eletrônico. Por muito tempo, Dragon Quest foi a série de RPGs mais popular no Japão, superando a série Final Fantasy por longos anos. Além de ser consideravelmente mais difícil. Tudo isso é sabido por muitos “rpgistas”, ainda que muitos sequer tenham jogado algum título dessa série.
    Dragon Quest IV: Chapters of the Chosen (DQ4) é, como o nome sugere, o quarto título da série Dragon Quest. Título originalmente desenvolvido para o NES, refeito para PSX e NDS, onde um arco novo da história foi introduzido (sexto capítulo).
    Em 1990, quando o jogo foi lançado, as duas séries principais de RPGs no Japão se encontravam no terceiro (FF) e quarto (DQ) título. Nesse ponto algo estava claro, enquanto a série Final Fantasy estava se reinventando a cada título, sempre construindo um mundo novo, com novos personagens e uma história completamente nova, mantendo apenas alguns elementos em comum entre cada título, a série Dragon Quest estava fazendo uso do mesmo mundo em épocas diferentes para contar a mesma história de modo completo. Porém o terceiro título do Dragon Quest fechou um arco, que hoje é conhecido como o arco do Rei Dragão, ou a Trilogia de Loto (ou Erdick, dependendo da versão do jogo).
    Dragon Quest IV começou então uma nova trilogia, chamada de Castelo Celestial, que é claro, englobam os quarto, quinto e sexto jogos. Essa trilogia não faz nenhuma referência à primeira do DQ, usando um novo mundo e uma nova história para os seus jogos.
    DQ4 também inicia uma série de inovações. Primeiro de tudo é o sistema de capítulos no qual a história do jogo é contada. O jogo é dividido em cinco capítulos (no DS ou PSX são seis), onde cada capítulo se passa na perspectiva de um dos heróis do jogo. O quinto capítulo se passa na perspectiva do verdadeiro herói, quando este se une a todos os outros heróis previamente vistos e forma o time verdadeiro para o final do jogo. Cada capítulo, apesar de não ser muito longo, conta com uma história própria e revela os objetivos de cada herói e seus motivos para iniciar a aventura.
    Essa forma de contar a história mantém o jogador mais próximo dos personagens secundários do jogo, uma vez que por algum tempo (provavelmente algumas boas horas) o jogador tem de ver aquele personagem como protagonista do capítulo. DQ4 também é um dos primeiros DQs (principalmente no seu remake) a dar uma personalidade de fato aos personagens. Embora o jogo não seja tão tagarela quanto outros RPGs (e principalmente se comparado aos jogos FFs), ainda é muito mais detalhado nesse sentido que os primeiros jogos da série (e seus respectivos remakes no SNES).
    Outras inovações incluem o uso do casino (embora este tenha sido usado também no remake do DQ3 no SNES), uso de “inteligência artificial” (que na verdade é só uma forma de dar o comando dos personagens ao CPU, sem real inteligência inclusa) para o time (exceto o herói) e o uso de uma carroça onde o resto do time, tal como itens excedentes ficam à espera para quando necessário. O time também pode ser trocado em tempo real durante as lutas se forem ao ar livre ou contra o último chefe.
    O uso de capítulos também é interessante porque ao final de cada um dos quatro primeiros, apesar de terem sido concluídos, não passam de prólogos da aventura principal, ou seja, o quinto capítulo. Terminar cada capítulo também funciona como uma recompensa menor e imediata para o jogador, além de uma boa medida para o avanço no jogo (exatamente como a troca de CD faz nos jogos que são multi discos).
    Dragon Quest 4 mantém sua trilha sonora épica e heroica, como de costume. Cada capítulo possui um tema diferente no mapa-múndi, referente ao herói que se encontra como líder, ainda que os temas não sejam tão marcantes quanto o do terceiro jogo. Dragon Quest 4 também é difícil, especialmente se comparado com jogos mais recentes. Vários inimigos possuem habilidades irritantes e complicadas, mesmo que a maioria não imobilize os seus personagens (exceto as que matam instantaneamente, embora extremamente raras). Os “buffs” do jogo são extremamente úteis e muitos inimigos fazem uso de magias que alteram os atributos dos personagens, o que tem impacto imediato nas lutas.
    Embora um jogo de números baixos (com danos bem altos atingindo apenas a casa dos 300, enquanto outros jogos passam de 9999), as lutas são desafiadoras e os chefes são poderosos e requerem cuidados. A limitação de itens por personagem, além da quase inexistência de itens para recuperar MP torna o jogo ainda mais difícil, uma vez que o jogador não pode depender demais de magias.
    Outra coisa interessante é a função do herói. De fato visto até agora (por mim) apenas na série Dragon Quest. Enquanto em vários jogos o protagonista, mesmo sendo o herói, pouco tem a oferecer se comparado aos outros personagens da equipe, em geral sendo apenas um pouco mais forte e/ou versátil, em DQ (e no DQ4 não é diferente) o herói é, realmente, O herói. Com poderosas magias, capaz de utilizar os melhores equipamentos, com boa força, velocidade e defesa, podendo curar todo o time (com uma potência até melhor que os curandeiros) e uma magia que utiliza a força de todo o time para causar um dano massivo no inimigo. Em DQ4, além disso tudo, também é usuário das magias de trovão, uma das mais poderosas. A única coisa que o herói não pode fazer em comparação com outros magos é se transformar em dragão.
     Para enfrentar um monstro terrível como o herói (para os padrões de heróis em RPGs), somente um vilão a altura, então espere um último chefe complicado com inúmeras transformações e poderes alternativos.
    Dragon Quest IV: Chapters of the Chosen é um ótimo jogo, com uma história contada de um jeito especial e personagens interessantes, além de não ter tagarela. Se busca um jogo onde você vai mais para a ação, sem perder as raízes e tradições dos RPGs japoneses, DQ4 é a escolha certa. E, no final, quem sabe, até o vilão da história se renda para o bem e entre no seu time para se aventurar um capítulo extra.

Comentários extras:



  •         Torneko, o mercador do time, ganha um jogo próprio para o SNES chamado Torneko's Great Adventure: Mysterious Dungeon, primeiro jogo da série spin-off Mistery Dungeon.
  •         Assim como DQ3, o jogador pode escolher se o herói é menino ou menina.
  •         DQ4 é um dos RPGs onde um time só de mulheres pode vir a ter um desempenho melhor do que utilizando homens.

Imagem: thatvideogameblog.com

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