|
Título
|
SaGa 3
|
|
Série
|
SaGa
|
|
Gênero(s)
|
RPG
|
|
Console
|
Nintendo Gameboy
|
|
Publisher
|
Square
|
|
Desenvolvedora
|
Square
|
|
Rank
pessoal
|
5.7/12
|
|
Personagem
favorito
|
Curtis
|
|
Modo
|
SP
|
|
Inimigo
mais difícil
|
Ballor
|
|
Ano
de lançamento
|
1991
|
|
Ano
jogado
|
2013
|
|
Dificuldade
|
Média
(alta em determinados pontos)
|
|
Tempo
Estimado
|
15
horas
|
SaGa 3 é o último jogo da série
para o Gameboy. De fato, SaGa 3 pode ser considerado a versão definitiva da
série para o portátil da Nintendo, considerando sua evolução em comparação aos
seus antecessores que o colocam mais próximo de um design comum adotado em RPG
e mais distante dos experimentos que a série se mostrou ser.
Considerando os primeiros dois
jogos com o último, pode ser traçado um padrão subjetivo da mídia de: bom (ou
no caso, razoável), péssimo e bom. O primeiro jogo da série, embora simples,
pode ser considerado bom ou razoável de acordo com a sua intenção. O segundo
jogo, já tendo a experiência do primeiro e alguma expectativa do público, segue
um rumo que não condiz com tais expectativas, resultando em um título
classificado como ruim (péssimo). O terceiro, tentando reerguer a imagem do
produto, se redimi retornando ao padrão bom ou ultrapassando as expectativas em
comparação com o primeiro.
Makai Toushi SaGa (Final Fantasy
Legends no ocidente) conta a história de um aventureiro em busca de desbravar
uma torre que se estende por vários mundos. Nesse título, o jogador pode
construir seus personagens dentro de um rol de opções de três raças: humanos,
mutantes (espers) ou monstros. Humanos são inaptos a magia nessa edição e
evoluem com base em poções compradas em lojas. Os mutantes são totalmente
aleatórios, ganham suas habilidades aleatoriamente nas lutas (que substituem as
antigas que ele também aprendeu aleatoriamente), assim como seus atributos também
são incrementados aleatoriamente. Monstros somente evoluem comendo a carne de
outros monstros no final da luta, a partir da qual eles se transformam no
monstro do qual se alimentaram.
Não é preciso pensar muito para
imaginar quais problemas esse estilo de design teria nos dias de hoje. Não que
ele não tivesse no passado, só que hoje seria quase inimaginável algo do tipo.
Esse design aleatório permanece
no segundo jogo, mas algumas diferenças são feitas. Agora humanos também
aumentam aleatoriamente seus atributos após as lutas, assim como os mutantes
(que praticamente não mudaram). Uma nova “raça” foi adicionada: robô, e sua
força é totalmente montada a partir de seus equipamentos (força, vida,
velocidade, etc). Outra característica comum dos primeiros jogos é o fato de
que, assim como em Fire Emblem, todas as armas do jogo possuem durabilidade. E
somente os robôs podem “restaurar” a durabilidade de suas armas, ao custo de só
poderem usar metade dela. Os primeiros jogos também são arbitrários em relação
a suas lutas e os efeitos de sua aleatoriedade são irreversíveis a menos que o
console seja desligado. Isso torna principalmente o segundo título da série uma
experiência fora do controle do jogador, arruinando tudo.
O enredo do segundo jogo é
completamente apagado perante tantos problemas. Mas também trata de uma torre
com mundos conectados e a busca por um meio de impedir ações maléficas em
vários mundos.
Após “erros” seguidos, a série
finalmente toma um rumo mais iluminado na terceira edição. SaGa 3 admite vários
padrões de design na construção de RPGs que o trazem de volta ao controle do
jogador, e não vice-versa. As batalhas são menos arbitrárias contra o time de
heróis, e estes voltam a poder evoluir através de níveis, embora as opções
diferentes de SaGa estejam ainda presentes (porém opcionais). Os personagens
são gerados automaticamente entre humanos e mutantes, mas as diferenças entre
esses diminuíram bastante. Humanos são melhores fisicamente e mutantes em
magias, mas todos podem usar tudo e nada é aleatório. Cada personagem pode se
tornar besta, monstro, ciborgue ou robô dependendo do que utilizam dos monstros
no final da luta, e ganham suas características por isso, mas o design inteiro
é bem menos restrito. Além de que é possível voltar ao normal (humano/mutante).
Nenhuma transformação é
necessária para concluir o jogo e como o jogador que decide quais magias os
personagens possuem, a experiência final toda é melhorada em comparação com os
antecessores. A redução da aleatoriedade jogo trouxe um retorno positivo para
SaGa 3.
Agora, com menores preocupações
de como o título funciona o jogador pode finalmente entender a história. Desta
vez também houve mudança no enredo, deixando de lado a torre e apresentando
viagem no tempo como tema principal da história. Os heróis, que vieram do
futuro, precisam juntar as peças necessárias para reativar uma nave com
múltiplas funções (combate, transporte, viagem no tempo) e avançar na trama. No
fim, os jogos acabam sempre fazendo com que os heróis enfrentem algum vilão que
se intitula deus.
Mas isso não quer dizer que SaGa
3 não tenha seus problemas. O maior problema do jogo é sua enorme tendência de
esconder informações. Quase todos os RPGs dizem claramente a eficácia de algum
item. O jogador pode não entender o que a informação significa, mas ela está
lá. SaGa 3 esconde tudo que lhe convém. Acontece que convém ao SaGa esconder
praticamente tudo. Personagens, monstros, itens, magias e quase todo o resto só
lhe são conhecidos os nomes. Para boa parte deles, isso basta. Para outra
imensa maioria, não é o bastante. Há uma lógica por trás disso, quando (no
mundo real) uma pessoa obtém um artigo como uma espada ou machado, a pessoa em
geral não saberá qual deles tem o melhor desempenho numa luta e tudo que lhe
resta é testar. Feito isso, poderá determinar com qual ficará baseado no
resultado. É assim que SaGa funciona, a única diferença é que o jogador não tem
que escolher entre uma espada e um machado, mas sim entre uma espada longa e
uma espada de prata, entre uma pistola venenosa e arco élfico, entre um machado
Tomahawk e a espada do imperador. Não há nenhuma garantia do que é melhor e
repetir testes incessantemente para saber o que possui um melhor desempenho em
combate é cansativo.
Alguns chefes são terríveis, mas
com um pouco de sorte e apoio de um quinto personagem, a maioria dos desafios
pode ser superado sem uma grande frustração. Os gráficos preto e branco são
normais e as músicas não tão memoráveis quanto Pokémon no mesmo portátil. Final
Fantasy Legends 3, como é conhecido no ocidente é recomendado apenas para quem
quiser conhecer a série SaGa em sua época pré-SNES.
Comentários extras:
●
Akitoshi Kawazu, só esse nome deve bastar para
explicar muito.
●
O segundo e terceiro jogos possuem remakes no DS,
suas diferenças em relação às versões do GB me são desconhecidas.
●
Ainda que Final Fantasy tivesse mencionado
viagens no tempo, SaGa 3 é um dos jogos RPGs mais antigos a tratar do assunto
como tema principal (ou com um foco razoavelmente grande). Precedendo Chrono
Trigger em quatro anos.