quinta-feira, 9 de outubro de 2014

SaGa 3


Título
SaGa 3
Série
SaGa
Gênero(s)
RPG
Console
Nintendo Gameboy
Publisher
Square
Desenvolvedora
Square
Rank pessoal
5.7/12
Personagem favorito
Curtis
Modo
SP
Inimigo mais difícil
Ballor
Ano de lançamento
1991
Ano jogado
2013
Dificuldade
Média (alta em determinados pontos)
Tempo Estimado
15 horas


    SaGa 3 é o último jogo da série para o Gameboy. De fato, SaGa 3 pode ser considerado a versão definitiva da série para o portátil da Nintendo, considerando sua evolução em comparação aos seus antecessores que o colocam mais próximo de um design comum adotado em RPG e mais distante dos experimentos que a série se mostrou ser.
    Considerando os primeiros dois jogos com o último, pode ser traçado um padrão subjetivo da mídia de: bom (ou no caso, razoável), péssimo e bom. O primeiro jogo da série, embora simples, pode ser considerado bom ou razoável de acordo com a sua intenção. O segundo jogo, já tendo a experiência do primeiro e alguma expectativa do público, segue um rumo que não condiz com tais expectativas, resultando em um título classificado como ruim (péssimo). O terceiro, tentando reerguer a imagem do produto, se redimi retornando ao padrão bom ou ultrapassando as expectativas em comparação com o primeiro.
    Makai Toushi SaGa (Final Fantasy Legends no ocidente) conta a história de um aventureiro em busca de desbravar uma torre que se estende por vários mundos. Nesse título, o jogador pode construir seus personagens dentro de um rol de opções de três raças: humanos, mutantes (espers) ou monstros. Humanos são inaptos a magia nessa edição e evoluem com base em poções compradas em lojas. Os mutantes são totalmente aleatórios, ganham suas habilidades aleatoriamente nas lutas (que substituem as antigas que ele também aprendeu aleatoriamente), assim como seus atributos também são incrementados aleatoriamente. Monstros somente evoluem comendo a carne de outros monstros no final da luta, a partir da qual eles se transformam no monstro do qual se alimentaram.
    Não é preciso pensar muito para imaginar quais problemas esse estilo de design teria nos dias de hoje. Não que ele não tivesse no passado, só que hoje seria quase inimaginável algo do tipo.
    Esse design aleatório permanece no segundo jogo, mas algumas diferenças são feitas. Agora humanos também aumentam aleatoriamente seus atributos após as lutas, assim como os mutantes (que praticamente não mudaram). Uma nova “raça” foi adicionada: robô, e sua força é totalmente montada a partir de seus equipamentos (força, vida, velocidade, etc). Outra característica comum dos primeiros jogos é o fato de que, assim como em Fire Emblem, todas as armas do jogo possuem durabilidade. E somente os robôs podem “restaurar” a durabilidade de suas armas, ao custo de só poderem usar metade dela. Os primeiros jogos também são arbitrários em relação a suas lutas e os efeitos de sua aleatoriedade são irreversíveis a menos que o console seja desligado. Isso torna principalmente o segundo título da série uma experiência fora do controle do jogador, arruinando tudo.
    O enredo do segundo jogo é completamente apagado perante tantos problemas. Mas também trata de uma torre com mundos conectados e a busca por um meio de impedir ações maléficas em vários mundos.
    Após “erros” seguidos, a série finalmente toma um rumo mais iluminado na terceira edição. SaGa 3 admite vários padrões de design na construção de RPGs que o trazem de volta ao controle do jogador, e não vice-versa. As batalhas são menos arbitrárias contra o time de heróis, e estes voltam a poder evoluir através de níveis, embora as opções diferentes de SaGa estejam ainda presentes (porém opcionais). Os personagens são gerados automaticamente entre humanos e mutantes, mas as diferenças entre esses diminuíram bastante. Humanos são melhores fisicamente e mutantes em magias, mas todos podem usar tudo e nada é aleatório. Cada personagem pode se tornar besta, monstro, ciborgue ou robô dependendo do que utilizam dos monstros no final da luta, e ganham suas características por isso, mas o design inteiro é bem menos restrito. Além de que é possível voltar ao normal (humano/mutante).
    Nenhuma transformação é necessária para concluir o jogo e como o jogador que decide quais magias os personagens possuem, a experiência final toda é melhorada em comparação com os antecessores. A redução da aleatoriedade jogo trouxe um retorno positivo para SaGa 3.
    Agora, com menores preocupações de como o título funciona o jogador pode finalmente entender a história. Desta vez também houve mudança no enredo, deixando de lado a torre e apresentando viagem no tempo como tema principal da história. Os heróis, que vieram do futuro, precisam juntar as peças necessárias para reativar uma nave com múltiplas funções (combate, transporte, viagem no tempo) e avançar na trama. No fim, os jogos acabam sempre fazendo com que os heróis enfrentem algum vilão que se intitula deus.
    Mas isso não quer dizer que SaGa 3 não tenha seus problemas. O maior problema do jogo é sua enorme tendência de esconder informações. Quase todos os RPGs dizem claramente a eficácia de algum item. O jogador pode não entender o que a informação significa, mas ela está lá. SaGa 3 esconde tudo que lhe convém. Acontece que convém ao SaGa esconder praticamente tudo. Personagens, monstros, itens, magias e quase todo o resto só lhe são conhecidos os nomes. Para boa parte deles, isso basta. Para outra imensa maioria, não é o bastante. Há uma lógica por trás disso, quando (no mundo real) uma pessoa obtém um artigo como uma espada ou machado, a pessoa em geral não saberá qual deles tem o melhor desempenho numa luta e tudo que lhe resta é testar. Feito isso, poderá determinar com qual ficará baseado no resultado. É assim que SaGa funciona, a única diferença é que o jogador não tem que escolher entre uma espada e um machado, mas sim entre uma espada longa e uma espada de prata, entre uma pistola venenosa e arco élfico, entre um machado Tomahawk e a espada do imperador. Não há nenhuma garantia do que é melhor e repetir testes incessantemente para saber o que possui um melhor desempenho em combate é cansativo.
    Alguns chefes são terríveis, mas com um pouco de sorte e apoio de um quinto personagem, a maioria dos desafios pode ser superado sem uma grande frustração. Os gráficos preto e branco são normais e as músicas não tão memoráveis quanto Pokémon no mesmo portátil. Final Fantasy Legends 3, como é conhecido no ocidente é recomendado apenas para quem quiser conhecer a série SaGa em sua época pré-SNES.
Comentários extras:

     Akitoshi Kawazu, só esse nome deve bastar para explicar muito.
     O segundo e terceiro jogos possuem remakes no DS, suas diferenças em relação às versões do GB me são desconhecidas.
     Ainda que Final Fantasy tivesse mencionado viagens no tempo, SaGa 3 é um dos jogos RPGs mais antigos a tratar do assunto como tema principal (ou com um foco razoavelmente grande). Precedendo Chrono Trigger em quatro anos.



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