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Título
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Digimon World
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Série
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Digimon World
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Gênero(s)
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RPG /
Digital Pet
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Console(s)
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PlayStation
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Publisher
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Bandai
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Desenvolvedora
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Bandai
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Rank pessoal
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4.0/12
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Personagem
favorito
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Nenhum
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Modo
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SP
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Inimigo mais
difícil
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Seu Digimon
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Ano de lançamento
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1999
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Ano jogado
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2013
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Dificuldade
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Média
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O
final da década de 90 apresentou o começo de uma enorme explosão de
popularidade de uma das maiores franquias de brinquedos e jogos de todos os
tempos: Pokémon. O primeiro Pokémon foi lançado no Japão em 1996, mas só
atingiu as costas ocidentais dois anos depois. Em pouco tempo, Pokémon atingiu
a TV com uma série animada e muitas crianças carregaram seus novos Gameboys
para a escola e em todo lugar para continuar jogando.
Em
1999 surgiu Digimon, o competidor digital do Pokémon, especificamente dos
títulos Red & Blue. Para a competição ser levada a sério, Digimon também
buscou atingir os mesmo âmbitos de Pokémon, expandindo seus produtos para a
indústria de brinquedos e uma série animada na TV.
Muito
pode ser dito nessa competição e na comparação entre as duas franquias, mas a
história parece favorecer Pokémon hoje em dia, aliás, a franquia dos monstros
de bolso se expandiu muito mais que a dos monstros digitais, mesmo que o mundo
esteja na era da revolução digital. Pokémon tem dezenas de jogos e séries
animadas enquanto Digimon provavelmente terá apenas menos da metade desse total
quando ambas as franquias se esgotarem.
Um
dos motivos para isso se encontra em Digimon World. Pokémon Red & Blue foram
jogos muito rentáveis para a Nintendo, vendendo apenas no Japão mais de 10
milhões de cópias, sendo o segundo best-seller da plataforma onde foi lançado,
perdendo apenas pro Tetris. Digimon World, no mesmo país, vendeu em torno de
250 mil cópias. Isso prova o quanto as ideias por trás dos monstros digitais
ainda estavam imaturas e confusas quando comparados a simplicidade idealizada
pela Nintendo.
Pokémon
Red & Blue foram lançados no Gameboy, uma plataforma portátil com imagem
preto e branca de baixa resolução, processamento em 8-bit e som tão simples
quanto o do NES. Digimon World foi lançado para o Sony PlayStation, máquina
capaz de renderizar imagens em três dimensões e de alta resolução se comparada
ao Gameboy, com um processamento de 32-bit e canais sonoros muito superiores. A
mídia física de distribuição dos jogos do Pokémon era um cartucho de 4MB,
enquanto o Digimon World abusava de um CD completo com seus 700MB. Numa
comparação técnica, os números de vendas apresentados anteriormente não fazem o
menor sentido. A diferença na qualidade técnica entre os jogos é tão absurda
que muitos jogadores de tempos vindouros sequer se importariam em comparar,
escolheriam Digimon World como seleção natural e óbvia.
Ocorre
que, de fato, no mundo dos jogos não é apenas a diferença técnica que define um
sucesso. Ainda que seus temas sejam similares, seus públicos-alvo sejam os
mesmos e ambos os jogos tenham competido por aproximadamente o mesmo tempo, a
qualidade geral do design ainda possui um peso grande na balança. Ainda que
demasiado simples, Pokémon é um jogo muito bem definido e que, considerando que
a maioria absoluta de seus jogadores já conhecem a história do jogo de acordo
com a série animada, a apresentação do título e seus mecanismos eram
previsíveis e tiveram suas expectativas realizadas. O jogador tem como papel um
treinador de Pokémon, originário da cidade de Pallet, que um dia tem a
oportunidade de escolher um entre três distintos Pokémon para iniciar uma
jornada até se tornar o mestre Pokémon ao vencer um famoso torneio.
Captura
de inúmeros outros Pokémon e seu treinamento são a chave do jogo, todos eles
muito bem conhecidos pelos fãs. Aqueles que não conheciam, passam a conhecer a
fórmula do jogo dentro de pouco tempo. E mesmo as diferentes versões vermelha e
azul não são tão diferentes a ponto de prejudicar os jogadores com qualquer uma
delas se comparados uns com os outros. Essa simples fórmula de seguir adiante
cidade a cidade capturando monstros e enfrentando treinadores tem dado certo
por mais de dez anos.
Uma
análise profunda deste primeiro título de Digimon World mostra o quão imatura a
ideia geral se encontrava no momento do lançamento. Pokémon foi um sucesso pois
era simples e previsível com o que os jogadores esperavam dele, Digimon World,
embora aparentemente tendo tudo aquilo que seria previsível de um jogo da
série, mostrou-se tímido e perdido.
Para
começar, o jogador tinha como opção inicial apenas dois monstros ao invés de
três, sendo que não poderia explicitamente escolher nenhum desses, sendo a
cargo do jogo escolher um de acordo com algumas perguntas apresentadas ao
jogador ao iniciar uma partida. Este Digimon poderia evoluir, mas seu sucessor
não era previsível, uma vez que a evolução do Digimon é totalmente aleatória
dentro de um universo de possibilidades, se essa aleatoriedade pode ser
controlada ou pelo menos tendenciosa a favor do jogador, o jogo nunca
especificou. Além disso, o Digimon não possui um nível formal de força e seus
inimigos tampouco, o que torna a aventura inteira uma imensa experiência
empírica.
O
monstro pode ganhar força em vários atributos treinados separadamente a
qualquer momento no jogo nos centros de treinamento. Quanto maior o valor, mais
fácil será de vencer uma luta. Mas tratando-se de cuidar e treinar monstros,
Digimon é mais complexo. Não basta apenas fazê-lo lutar, é necessário alimentar
o monstro quando este sentir fome, leva-lo ao banheiro quando precisar e
deixa-lo dormir quando cansar. Desleixar as necessidades de seu monstro é
correspondente a transforma-lo num monstro inútil (como um Sukamon na forma de
cocô) ou simplesmente mata-lo.
A
propósito, dormir é sempre uma boa ideia. Em Digimon World, o jogador só é
permitido salvar a aventura quando o monstro dorme. A passagem de tempo no jogo
é representada num sistema de dia e noite e leva em torno de vinte minutos para
um Digimon sentir sono, em condições normais. Caso o jogador realize muitas
tarefas como dialogar com NPCs ou lutar, esse tempo pode aumentar (Pokémon permite
salvar quando bem entender).
Durante
as lutas o papel do treinador é apenas de aconselhar seu monstro, nunca de dar
ordem alguma. O Digimon possui sua própria inteligência e este lutará em tempo
real sozinho contra quantos adversários o jogo introduzir na batalha. O jogador
pode apenas escolher qual estilo de batalha seu Digimon deve usar durante a
luta. Esse estilo pode ser alternado quantas vezes desejar no curso da luta,
mas apenas se o Digimon tiver inteligência para usá-lo. O único comando respondido
de fato é o do golpe especial, que ainda assim pode ser cortado pelo adversário
dependendo da hora que foi usado. Esse mecanismo de luta é interessante mas não
muito intuitivo e tem vários problemas relacionados ao retrabalho do jogo
discutido mais à frente.
O
enredo é igualmente simples, porém ainda mais perdido no caso do Digimon World.
Aqui o jogador deve percorrer a ilha na tentativa de resgatar a antiga
população da Cidade Arquivo. Como objetivo secundário (ou primário, o jogo não
deixou isso claro) o jogador deve descobrir os motivos que levaram os monstros
a deixar a cidade e quem foi o responsável por isso. Conforme o jogador avança
na aventura, nada é revelado sobre o mistério da ilha e muitos Digimon são tem
como métodos de recrutamento o mesmo nível de mistério, prendendo um jogador
comum numa fase aleatória da ilha por muito tempo.
É
aí que o maior de todos os erros de Digimon World se faz presente. Após algumas
horas de jogo e recrutamento de alguns dos Digimon mais fracos, quando o
jogador começa a disputar com inimigos mais poderosos, o seu aliado, o Digimon
aleatório que foi decentemente treinado por quinze dias de jogo morre
inexplicavelmente. Alimentação, felicidade, disciplina, cansaço, força,
técnicas, nível de evolução, nada disso importa. O Digimon tem uma expectativa
de vida que varia, em condições normais, de quinze a vinte dias de jogo, sendo
muito comum sua morte no décimo quinto dia de vida na maioria das vezes. Ao
morrer, um Digimon volta ao seu estado de ovo que pode ter quatro cores, cada
uma representando uma árvore de evolução própria (que termina num dos galhos
aleatoriamente). Independente da escolha, o monstro retorna ao estado zero,
apagando toda sua evolução anterior e guardando apenas as técnicas aprendidas,
que poderão ou não ser usadas de acordo com a nova forma adquirida.
O
jogador deve então treinar novamente seu Digimon do começo, e o mesmo morrerá
quinze dias depois de nascer, e terá de ser treinado de novo, e de novo. Ao fim
do jogo, a maior parte dos inimigos se encontram no estágio de campeão (último
estágio evolucionário padrão dos Digimon) ou último (pós-campeão, estágio raro
de ser atingido), forçando o jogador a ter um Digimon de nível último para
poder competir adequadamente. Treinar um Digimon até esse estágio é difícil e
raro de se conseguir, e mesmo ao atingir o nível último, este monstro ainda
estará fadado a morrer entre quatro e nove dias. O jogador deve então se
aventurar desesperadamente pelo jogo em busca de atingir um nível mais elevado
no jogo, se aproximando como puder do final.
A
recompensa por tal esforço é o desfecho final da história, quando o jogador descobre
que um humano está tentando controlar a ilha dos Digimon para proveito próprio.
Após derrotar o escravizador de monstros, o jogador se despede das criaturinhas
virtuais e volta para o mundo real de onde veio. Sem festas de despedida, sem
finais opcionais, nada.
O
nível de dificuldade do jogo é padrão, nem alto nem baixo, porém as constantes
mortes do Digimon tornam este título extremamente difícil na segunda metade do
jogo. As músicas não são memoráveis e, embora o jogo tenha o cuidado de
distinguir uma música diferente para dia e outra para noite nas diversas áreas
em que se passa, ainda assim muitas outras áreas simplesmente não possuem
música. Essas são sonorizadas apenas com efeitos de fundo representando
pássaros ou máquinas de construção, ou vento. Certamente repetir a mesma música
em diversos cenários seria uma melhor opção.
Embora
os gráficos sejam decentes pro PSX e um grande apelo visual adicione qualidade
ao título, todos os outros fatores foram prejudicados pelas escolhas feitas em
como lidar com esse título. Principalmente o mecanismo de retrabalho ao treinar
o mesmo Digimon diversas vezes obrigatoriamente. Pokémon traz a mesma escolha,
porém opcional, uma vez que o jogador treina diversos Pokémon diferentes, o
retrabalho será proporcional ao número de Pokémon que o jogador decidir
treinar. Em Digimon esse trabalho é proporcional ao tempo total da aventura,
que se torna cada vez maior ao destruir todo o progresso atual.
Os
cenários do jogo são razoáveis, não são belos nem detalhados demais, mas são
variados na medida do possível e Digimon World é um dos poucos RPGs a evitar o
máximo possível o uso de cavernas como cenários para dungeons, um diferencial
positivo para DW. Quanto a última dungeon, esta foi uma péssima escolha e tem o
pior design de cenário do jogo inteiro. Quando uma luta está para iniciar, o
treinador se move para um dos cantos do cenário de onde poderá dar as ordens ao
seu Digimon. Nesta dungeon, em um dos andares, a posição escolhida pelo
treinador pode ser o portal de volta para o andar anterior. DW mantém os
monstros visíveis no cenário e uma luta inicia ao tocá-los, cada monstro
renasce ao sair do mapa e o portal de saída na última dungeon está quase sempre
guardado por um monstro. Nessa luta em particular, o jogador é forçado a
atravessar o portal para o andar anterior, onde terá de enfrentar novamente os
guardiões que ele acabou de vencer. Retrabalho?
Outros
bugs e erros de programação também se espalham por todo o jogo. Um dos Digimon
que troca itens com o jogador tem uma chance (alta) de empurrar sua barriga na
direção do personagem. A detecção de choque no jogo então é ignorada durante o
diálogo das trocas de itens e, ao terminar a transação, o jogador se encontra
dentro do volume ocupado pelo mercador, prendendo o personagem naquele mapa
para sempre (a menos que um piloto automático o teleporte para a cidade). Em
outra dungeon, uma batalha deve ser evitada a todo custo pois tem uma chance
alta de travar o console se ocorrer, sendo esta batalha uma comum, do fluxo
principal da dungeon.
Digimon
World teve muitas fatores a seu favor, como qualidade técnica do hardware e
dois anos de estudo do Pokémon até seu lançamento. Teve boas ideias que foram
desperdiçadas e um gênero de jogos em crescimento para abocanhar uma parcela
significativa de consumidores. Ainda assim, DW é a prova de que um design
simples e funcional pode ser melhor do que uma bagunça tridimensional apoiada
por hardware. Mesmo na era da revolução digital.
Comentários extras:
- Pokémon tinha Garry como rival, Digimon World tem o programa dele como rival.
- Pokémon permitia trocar monstros com colegas e com o jogo opcionalmente, Digimon World força o jogador a trocar seu monstro a cada duas horas de jogo.
- O jogo permite que você mime ou dê bronca no seu pet, assim como na vida real, com a única diferença que não há o medo de ser mordido.


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