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Título
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Arc the Lad 2
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Série
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Arc the Lad
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Gênero(s)
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Tactical RPG
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Console(s)
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Sony Playstation
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Publisher
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Sony Computer
Entertainment, Inc (SCEI)
Working
Designs
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Desenvolvedora
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Sony Computer Entertainment, Inc (SCEI)
G-Craft
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Rank pessoal
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8/12
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Personagem
favorito
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Arc
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Modo
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SP
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Inimigo mais
difícil
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The Dark One
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Ano de
lançamento
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1996
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Ano jogado
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2013
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Dificuldade
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Média/Alta
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A
mudança de mídia física utilizada nos consoles trouxe consigo consequências no
modo como os jogos deviam ser lidados. Saindo dos cartuchos de placas
eletrônicas que poderiam ser lidos e escritos (desde que houvesse uma bateria
dedicada a armazenar essa informação por longos períodos) para os CDs digitais
de somente leitura, a transição para um dispositivo capaz de armazenar dados
dos jogos em meio externo foi razoavelmente óbvio – conhecido hoje em dia como
Memory Card (outra opção, ainda mais óbvia, surgiu anos depois com a inclusão
de um disco rígido nos consoles). A
grande desvantagem desse método é que como não é mais cada jogo
independentemente o responsável pela manutenção de seus arquivos salvos, essa
tarefa foi passada para o jogador, e os cartões de memória precisavam ser
gerenciados pois tinham um limite muito menor que a quantidade de jogos que
requeriam armazenamento de dados. A grande vantagem foi usada por Arc the Lad 2
a seu favor e será discutida um pouco adiante.
O
primeiro jogo da série Arc the Lad, lançado um ano antes do 2, pareceu mais um
experimento das capacidades do Playstation do que um jogo completo para competir
com outros RPGs da época. Demasiado curto, com uma história incompleta, sem
grandes novidades. O lançamento de Arc the Lad 2 foi praticamente obrigatório,
considerando o aparente descaso com o primeiro título (embora tudo fosse
proposital). Lad 2 é um complemento do primeiro título, utilizando os mesmos
gráficos, mesmo sistema de vídeo, muitos cenários idênticos e até algumas
mesmas músicas. Definitivamente, é a parte dois inacabada de Arc the Lad. O
título inteiro parece melhor polido, o enredo adiciona profundidade, a
atmosfera se tornou mais séria, os mecanismos e novidades mais compensadores.
Soa quase como se o 2 fosse o verdadeiro Arc the Lad e o primeiro jogo não mais
que um beta da coisa toda.
Deveria
haver, portanto, uma recompensa para os aventureiros da versão beta. Essa recompensa
é a vantagem em se utilizar um meio externo a mídia física do jogo para
armazenar os dados do mesmo. Arc the Lad 2 é capaz de ler o cartão de memória
do Playstation e buscar informações salvas de sua versão beta, ou melhor
dizendo, antecessor. Ao ler os dados de um jogo completo, essas informações são
convertidas e o Arc the Lad 2 pode herdar o estado da sua versão anterior,
iniciando o jogo com todos os personagens no exato mesmo nível do término do 1,
com os mesmos itens e equipamentos, todas as habilidades desenvolvidas
igualmente. Não ter de reiniciar o Arc the Lad 2 é, de fato, a maior vantagem
que tem em relação ao primeiro jogo.
Porém,
começar o jogo com personagens com níveis acima de quarenta poderia tornar esta
nova aventura um pouco fácil, não? E o que fazer com os jogadores que estão
começando Arc the Lad 2 sem terem terminado o jogo anterior? Colocar todos os
personagens no nível quarenta como padrão? Este nível não seria, então,
equivalente ao 1? Esse tipo de solução pode criar mais problemas a serem
lidados se não for bem pensado. Só que Arc the Lad 2 foi bem pensado e resolveu
este problema de uma forma simples e coesa com a proposta do jogo (ser
continuação do outro, claro).
O
nível padrão para a turma de Arc é, sim, em torno do quarenta, porém isso não
estraga o jogo porque o jogador não controla nenhum personagem do antigo Arc
the Lad nas possíveis primeiras quinze horas (mesmo tempo de término do jogo
anterior?) ou mais. Lad 2 começa contando a história de Elc, um jovem caçador mercenário
controlador de chamas que busca remontar o quebra-cabeça que é o seu passado
enquanto caça o responsável por suas desgraças, Gallarno. Um pouco adiante (bem
pouco) no jogo, Elc descobre que a aeronave que atacou sua vila em sua infância
é a mesma que Arc, agora procurado pela justiça, usa. Tirando conclusões
precipitadas de que Arc foi o responsável pela morte de seus pais, Elc passa a
buscar vingança contra Arc também.
Nessa
trajetória, ele encontra vários outros amigos que entram como parte integrante
geral do Arc the Lad e, posteriormente, formarão um grupo ainda maior com os
personagens do antigo Arc the Lad, com exceção de Kukuru que não é jogável pela
imensa maior parte do jogo. Arc e Elc dividem a posição como protagonistas do
jogo e, mais adiante, como é bem previsível, se unem como um time supremo na
luta contra o verdadeiro mal e os quatro generais de Romalia. A partir daí,
então, o jogador terá seu típico RPG da época, com umas trinta ou mais horas de
jogo até a luta final contra o senhor da escuridão. Nesse ponto nota-se como
Arc the Lad 2 abandonou a velocidade para fechar o jogo apresentada na sua
versão anterior.
Mesmo
que muitos dos cenários sejam os mesmos, Arc the Lad 2 mostra um mundo mais
completo, com novos continentes, e muitas de suas partes são tão longas quanto
o primeiro jogo inteiro, planejado de forma que quando os times se unem, a
diferença de níveis entre as gerações não seja muito grande. A partir daí, o
jogo continua sólido como desde o início até o final. As lutas são rápidas para
o estilo tático, apresentando vários temas aleatórios de batalha e uma curva de
dificuldade que torna Lad 2 quase impossível de se zerar na última dungeon.
Lembrando que no começo sequer era necessário pensar para ganhar as lutas,
somente atacar, atacar, atacar.
O
enredo também se transforma, ganhando uma perspectiva muito mais profunda e
séria, com muitas pitadas de tragédias por todo o jogo. As tramoias dos vilões
mantém os heróis afastados por boa parte do jogo, enriquecendo a história conforme
eles avançam por diferentes lugares. Para competir com essa linearidade do RPG,
Lad 2 adiciona as missões da guilda de caçadores (na qual parte do jogo trata
como obrigatório durante o tempo em que Elc é o líder), essas missões são
tratadas como sidequests e ajudam no desenvolvimento dos personagens. A
necessidade de treino de 80% ou mais do jogo é sanada por essas missões, cuja
maioria envolve ir a um determinado lugar caçar um monstro. Soma-se a isso as
próprias caçadas aos monstros, procurados pela guilda mas que seu paradeiro é
estimado, porém desconhecido. Visitar cenários de lutas livres sempre pode
mostrar um monstro procurado cuja recompensa são méritos na guilda e dinheiro.
Esses méritos podem ser usados próximo ao final do jogo para uma missão extra
supersecreta.
Este
método é efetivo durante boa parte do jogo, mas é no final que Arc the Lad 2
perde muito de sua graça. O jogo se torna tão absurdamente difícil que mesmo um
jogador dedicado teria problemas em manter o mesmo nível dos monstros, que
ultrapassa o 99 e chega até a 120. Provavelmente a intenção era empurrar os
jogadores para as diversas dungeons opcionais do jogo para manter o time num
nível adequado para o final. Todavia, essas dungeons, se comparadas ao ritmo
acelerado de todo o jogo, são tão monótonas e tediosas que apenas os “complecionistas” se arriscariam nelas
por vontade própria.
Esse
ritmo acelerado do jogo é praticamente perfeito, mesmo para um RPG. As lutas
táticas são tão velozes quanto as baseadas em turno de jogos mais recentes,
toda a história é distribuída igualmente em falas curtas e cenas breves que não
seguram o jogador por muito tempo. O jogo está sempre em movimento, fluindo
como um rio e guiando o jogador em seu curso até a cachoeira turbulenta da
etapa final.
Ainda
assim, o jogo não parece inacabado. Tanto que após a última luta, com todo o
realismo de Arc the Lad 2, o jogador se encontra num mundo totalmente devastado
por uma guerra entre as forças do bem e do mal. Praticamente todas as cidades
do jogo são destruídas e pouco se sabe sobre a sobrevivência da espécie humana,
além do sacrifício do herói, Arc, e sua destinada companheira Kukuru. O final é
tão opositivo ao primeiro jogo que é até difícil imaginar uma continuação para
Arc the Lad 2, dada sua sensação de acabamento.
Algumas
coisas foram simplificadas, outras se tornaram mais tediosas e atrapalhadas,
mas a evolução positiva para o Arc the Lad 2 é clara. A série pulou de apenas
mais um RPG de console para um jogo extremamente agradável e, para os RPGistas
eletrônicos, um título que deve ser experimentado, no mínimo. É difícil
entender porque os desenvolvedores de jogos não aproveitaram tudo que Arc the
Lad tem de melhor: velocidade e fluidez aliada a uma grande variedade de
atividades (que não são mais do que reaproveitamento delas mesmas e de outras
já famosas).
Quanto
a seus próprios herdeiros, a série Arc the Lad tem como legado manter a
qualidade atingida por esta versão e não mais dividir um jogo em dois sem a
necessidade para tal, pois tal comportamento pode afastar jogadores em
potencial. E que nenhum outro último chefe tenha tanta vida quanto o
apresentado neste jogo, pois seria difícil vencer um Dragon Quest se seu chefe
tivesse tanta vida quanto num Final Fantasy!
Comentários extras:
- Assim como Final Fantasy VI e VII, Arc the Lad 2 possui alguns personagens secretos que podem fazer diferença na luta final.
- Uma das personagens pode capturar monstros e usá-los em batalha. Esses monstros podem ser quaisquer encontrados no jogo, com exceção de chefes (imagino). O que dá ao Arc the Lad uma pitada de Pokémon e Megami Tensei.
- Design das técnicas com área de efeito é muito parecido com o usado em Shining Force.
- Por algum motivo desconhecido, assim como vários outros RPGs táticos, o último chefe não se move.
- O jogo perdeu seus diversos “world map themes”, mas manteve a grande variedade de músicas de batalha.
- Praticamente tudo no jogo possui nível.


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