quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Terranigma


Título
Terranigma
Série
Soul Blazer/ Gaia Trilogy/ Quintet RPGs
Gênero(s)
Action-RPG
Console
Super Nintendo Entertainment System
Publisher
Enix/Nintendo
Desenvolvedora
Quintet
Rank pessoal
10.4/12
Personagem favorito
Ark
Modo
SP
Inimigo mais difícil
Bloody Mary / Dark Gaia
Ano de lançamento
1995
Ano jogado
2013
Dificuldade
Média (alta no fim)
Tempo Estimado
16 horas


    1995. Este ano, juntamente com seu antecessor deveria ser memorizado por todo amante dos RPGs de console. Em 1994, o mundo recebeu um excelente jogo conhecido como Final Fantasy VI, considerado por alguns o melhor jogo da série (embora grande parte dos fãs de RPGs em geral prefira o VII) e um dos melhores jogos do Super Nintendo. Até 1994, provavelmente FF6 é o melhor RPG do console, mas quando se considera toda a vida útil do SNES é cada vez mais difícil categorizar o melhor jogo de RPG. O ano seguinte ao último lançamento do Final Fantasy do SNES teve jogos de grande impacto e qualidade, e outras excelentes experiências menos conhecidas pela grande massa. Dentre esses grandes títulos da qualidade estão inclusos (apenas no ano de 1995): Chrono Trigger, Tales of Phantasia e Terranigma.
    Terranigma foi o último grande jogo da Quintet para o SNES, depois do Robotrek (uma pequena pausa da empresa na série pós Illustion of Gaia). Este jogo é ligado aos demais RPGs da empresa no chamado Trilogia de Gaia ou série Soul Blazer, às vezes também acoplado ao seu sucessor, Grandstream Saga, tornando então uma série de quatro jogos. No entanto, assim como seu outro nome, a série deveria ser chamada de “A Criação do Céu e da Terra”.
    Terranigma mantém os padrões da sua série, e o objetivo do jogo e toda sua história gira em torno da criação da Terra, da vida e sua evolução. De todos os jogos até agora, Illusion of Gaia foi o único do qual o princípio do jogo não se baseou na extinção da vida na Terra. Em Terragnima, o herói Ark não é nem Deus nem um enviado do mesmo, mas apenas um jovem conduzido a um destino desacoplado do laço do destino (se é que isso faz sentido) numa missão de restauração do mundo. A história começa num pequeno vilarejo chamado Crysta, quando Ark acaba por acidentalmente abrindo a Caixa de Pandora na tentativa de salvar seus companheiros de um congelamento. Isso o leva a rodar todo o submundo em cinco torres para livrar seus amigos e, no processo, acaba por ressuscitar os continentes do mundo.
    Isso pode não parecer fazer muito sentido, mas a introdução do jogo afirma que o mundo, possuindo dois lados (um iluminado e outro escuro) entrou em conflito consigo mesmo. A batalha entre os lados interno e externo do mundo terminou com nenhum deles vencendo, e os continentes da Terra foram tragados pelo oceano enquanto o mundo interno, ou submundo, foi selado.
    Ao terminar de derrotar os guardiões das cinco torres, Ark acaba por livrar o selo do submundo e reconstrói o chão da Terra. Após isso, é guiado por um ancião de sua vila para ir ao mundo exterior ajudar a reconstruir o planeta e a vida. O dever de Ark é ajudar na total ressurreição do planeta. Ark então segue rumo para o planeta através de uma fenda e não pode mais retornar para sua casa. A partir disso, o jogador deve levar Ark por todo o planeta e aos poucos torna-lo habitável novamente. Tal missão, separada no jogo como o capítulo dois (de quatro), começa na Amazônia, América do Sul, para reviver o pai de todas as plantas. Segue então para o Colorado, América do Norte, para dar vida às aves e termina nas savanas da África salvando a vida animal como um todo e principalmente os mamíferos.
    O capítulo seguinte, o maior de todos, é todo sobre os humanos. Ark perde sua habilidade de falar com animais e plantas, e sua existência passa três anos apagada enquanto a vida humana volta a ser aquilo que era antes do fim do mundo. A partir desse ponto a história do jogo começa a mudar, e uma trama aos poucos se desenrola com algumas surpresas. Embora o jogo pareça mudar um pouco de tema, a missão de Ark continua sendo ajudar o planeta e, nesse caso, a guiar os humanos e seus gênios a concluir suas grandes obras.
    Terranigma tem o seu mundo baseado no mundo real, o que torna toda a aventura mais agradável. A Quintet já havia feito o mesmo em Illusion of Gaia, mas as referências do mundo real em Terranigma são bem mais fortes. Para começar, é possível ver o nome dos continentes e de vários locais da Terra no jogo. O nome de alguns países também são mencionados, como França e Espanha e, principalmente, há grandes referências a alguns personagens importantes da história do nosso mundo. Ark precisa ajudar algumas personalidades como Cristóvão Colombo e Alexander Graham Bell.
    Outro tema recorrente na série, o de reencarnação, também aparece aqui. Este tem um papel um pouco menos importante na história do jogo, mas ainda aparece inúmeras vezes. Em determinados momentos da aventura, Ark vivencia o encontro com alguns conhecidos em vidas passadas e, algumas vezes, esses encontros são estranhos e repleto de mistérios. O próprio personagem reencarna, para o fechamento do jogo no último capítulo, após sua morte no final do capítulo dos humanos, fato ocorrido também com outro protagonista de RPG do mesmo ano (Chrono em Chrono Trigger), embora nesse outro caso, não tenha sido uma reencarnação.
    Terranigma se apresenta mais próximo de Soul Blazer do que de Illusion of Gaia e ainda assim soa como uma versão mais madura de toda a série. O gameplay é mais próximo do primeiro jogo e a história de Ark é menos baseada em viagens, encontros e amizade que a de Will em Illusion of Gaia, mas tudo soa tão certo no último jogo. O enredo finalmente atingiu um nível complexo, sem perder qualidade ou cair em padrões da grande maioria dos RPGs. Embora o final do jogo se mostre um pouco parecido com outras tentativas de enredo, no todo, Terranigma é muito mais original. É raro ver uma tomada assim diferente nas histórias de RPGs e, ainda sendo muito próximo dos temas da Quintet, é mais maduro e agradável.
    Do ponto de vista do gameplay, Terranigma volta a explorar a evolução do nível baseado em pontos de experiência e em viagens para salvar pessoas e animais, como em Soul Blazer. Agora, porém, o herói utilizada uma lança como única arma no jogo (o que é extremamente raro em jogos). De acordo com o mesmo, o herói deve possuir a primeira arma a ser utilizada pela raça humana. Outro ponto interessante é que o herói começa o jogo já sabendo todos os seus poderes e movimentos com a lança e o jogador apenas deve aprender a utiliza-los devidamente.
    A caixa de Pandora não representa apenas um detalhe no jogo. Dentro dela está Yomi, uma pequena criatura de asas que acompanha Ark por todo o jogo, dando-lhe conselhos quando necessário. Yomi também representa a interface do jogo, que nada mais é do que a própria caixa de Pandora. Dentro dela, Yomi se movimenta quase livremente como um cursor para acessar quatro diferentes salas: uma para itens, outra para armaduras, uma terceira para armas e a sala central com informações diversas do jogo e personagem.
    O sistema de magias do jogo, no entanto, não é o melhor de todos. O bom é que é totalmente dispensável. Para conseguir magias, o jogador deve encontrar pedras conhecidas como Magirocks. Essas pedras são trocadas por anéis de poderes específicos que podem ser usados apenas uma vez cada. Existe um número limitado de Magirocks pelo jogo e, embora abundantes, geralmente estão espalhadas umas das outras. Grande parte dos feitiços não atinge os chefes, o que faz com que sejam úteis apenas contra inimigos normais. Uma dica, ElecRing é muito eficaz contra um dos chefes mais difíceis do jogo, Bloody Mary. Se possível, compre pelo menos cinco desses ao encontrar um castelo mal assombrado e deverá se sair bem (com dez anéis um jogador pode matá-la sem precisar usar golpes normais).
    A dificuldade em Terranigma é crescente. Começa bem simples e fácil nas cinco torres do submundo e termina com uma dificuldade incrível no último chefe. É altamente recomendável não enfrenta-lo abaixo do nível 35, a menos que o jogador deseje vencer utilizando um emulador como ajudante. Ainda assim, o jogo no geral é bem agradável e sua luta final é ainda mais dinâmica e rápida que o final de Arc the Lad 2. Aliás, essa dificuldade final lembra bastante ActRaiser.
    A trilha sonora do jogo é excelente, porém não é tão marcante quanto outras do console. Ainda assim, considerando os jogos da Quintet, Terranigma vai muito bem em suas músicas, com alguns temas bem tristes e solitários e outros cheios de emoção e sensação de aventura. Os gráficos também são bons para a época e suas cutscenes são impressionantes (vide o nascimento das plantas e das aves, por exemplos).
    Terranigma não é um jogo muito linear e suas sidequests são interessantes, embora suas recompensas não sejam das melhores. As mais notáveis sidequests do jogo incluem a ressurreição de algumas terras opcionais como a Polinésia e a evolução econômica das cidades humanas com base em ações do jogador (é possível até votar nele!).
    Tal qual os demais jogos da série, Terranigma é um jogo curto, maior que os outros, mas ainda curto. O tempo médio para se terminar o jogo varia de 15 a 20 horas e é totalmente recompensador. Mais uma vez a Quintet acertou em cheio e em 1995 deu ao mundo outro grande Action RPG.
Comentários extras:

     No jogo, o Brasil é representado por uma terra com um carnaval eterno.
     É um dos poucos jogos a apresentar NPCs negros em abundância.




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