sexta-feira, 4 de abril de 2014

Illusion of Gaia


Título
Illusion of Gaia
Série
Soul Blazer/ Gaia Trilogy/ Quintet RPGs
Gênero(s)
Action-RPG
Console
Super Nintendo Entertainment System
Publisher
Enix/Nintendo
Desenvolvedora
Quintet
Rank pessoal
7.5/12
Personagem favorito
Freedan
Modo
SP
Inimigo mais difícil
Irmãos vampiros
Ano de lançamento
1994
Ano jogado
2013
Dificuldade
Média


    Illusion of Gaia, conhecido na Europa como Illusion of Time (outro título válido para o jogo, aliás) é outro RPG da Enix que parecia completamente independente de outros títulos. Lançado em 1994, é mais um pedaço dos fatores que indicavam uma pequena mudança num dos pilares mais fortes do gênero, o enredo. No entanto, isso será discutido mais para frente.
    De fato, Illusion of Gaia não pertence a série alguma de RPGs (ou no caso, mais propriamente Action-RPGs), no entanto, como jogos desenvolvidos pela Quintet, compartilha alguns fatores em comum com outros jogos da empresa e, alguns traçam isso como uma característica de uma série. É dito que Quintet utilizou em seus jogos constantemente o conceito de reconstrução do mundo e isso é notavelmente visto a partir de ActRaiser – provavelmente o jogo mais famoso da empresa. Em ActRaiser, o jogador faz o papel do Mestre, ou Deus/Criador, dependendo da versão do jogo. E o título que carregar na tela é irrelevante, pois o papel é o mesmo. Como um Mestre adormecido por tempo demais, negligenciando o mundo que o próprio criara, este fora conquistado por demônios e restava de poucos para nenhum humano. Agora, enviado dos céus e encarnando num fabuloso guerreiro, o Mestre deve livrar a terra dos demônios e mais uma vez permitir a prosperidade humana, também guiada por ele dos céus. Aos poucos o mundo vai sendo reconstruído e todo o mal vai dando espaço para uma população feliz e em paz.
    Soul Blazer foi o título seguinte a fazer uso do mesmo tema. Dessa vez o jogador é apenas um enviado dos céus, mas guiado por uma entidade ainda maior. E seu dever é basicamente só a primeira parte do que ocorreu em ActRaiser: destruir demônios. Ao fazê-lo, o herói pode libertar almas e humanos, plantas e animais por todo o mundo e deixar que a terra devastada e deserta se torne mais uma vez próspera.
    Illusion of Gaia deu continuidade a essa fórmula. A diferença aqui foi a apresentação do enredo. Enquanto os primeiros dois jogos foram muito simples quanto a esse quesito, o enredo de Illusion of Gaia demonstrou ser mais terreno e mais sujeito à provações. Desta vez o herói não é Deus nem um enviado dos céus, mas apenas um humano com superpoderes, ligado a Gaia, a origem de toda a vida. Will tem como destino salvar o mundo de uma trágica mudança atrelada a uma estrela vermelha, ou um cometa, que se aproximou da Terra uma vez mais, fenômeno repetido a cada 800 anos. Porém o mundo não está destruído, nem governado por demônios, nem existe uma entidade maléfica se levantando para conquistá-lo. Só há uma estrela no céu e sua influência no planeta é desconhecida, porém anunciada como terrível.
    Will começa sua jornada como um jovem estudante na cidade de South Cape, morando com seus avós e passando o dia com quatro amigos que não se cansam de ver suas habilidades sobrenaturais. Seu destino começa a mudar ao esbarrar com a princesa do reino, Kara (apresentada de uma maneira um pouco diferente das princesas em jogos japoneses: não é loira, não é frágil e ao mesmo tempo não é forte também, e tem um porco como animal de estimação). O encontro com cara revela surpresas logo, pois o rei demanda que Will traga a ele o anel de cristal, objeto que ele não carregava e, por isso, foi preso. Após ser salvo pelo porco de Kara, Hamlet, Will foge do reino e carrega consigo a princesa para a jornada de sua vida. Will encontra outras pessoas ao longo do jogo, como seus quatro amigos retornam para acompanhá-lo, uma menina de uma vila oculta e seu primo inventor. Todos esses personagens, embora totalmente inúteis nas áreas de ação do jogo, são responsáveis por uma profundidade na história que dificilmente é vista em muitos jogos.
    A história de Illusion of Gaia também é surpreendentemente trágica em alguns pontos, mas no geral simplesmente é apresentada de uma forma diferente, principalmente para a época. Ao longo do jogo, Will vê pessoas (entre seus próprios amigos) se apaixonarem, se perderem de maneira trágica, ficarem perdidas (e ele próprio se perde também) e muitas outras situações. A forma como o jogo mostra a passagem do tempo, na maioria das vezes implacável, também é difícil de ser vista em outros jogos. As viagens entre lugares são contadas por dias e é comum ver Will e sua companhia sofrerem por quase um mês com pouca água, comida ou simplesmente em um ambiente totalmente hostil (vivendo como náufragos no meio do mar ou perambulando por uma caverna demasiadamente longa).
    Ao fim de sua jornada por vários lugares “existentes” do mundo real, como a Muralha da China ou as Pirâmides do Egito, Illusion of Gaia termina voltando mais uma vez ao tema original de sua série: reconstrução do mundo. Considerando o planeta Terra como um ser vivo e, considerando que todos os seres vivos mudam, a Terra também poderia evoluir e mudar, se reconstruir. E Will seria o responsável por isso. Para descobrir que mudanças são essas, por favor, jogue Illusion of Gaia, afinal de contas, o jogo é extremamente curto e muitas pessoas com horários complicados ainda seriam capazes de terminá-lo muito depressa.
    Temas trágicos como morte, canibalismo e escravidão populam o jogo e marcam um período em que os RPGs, por um tempo, tomariam um rumo mais trágico para seus enredos (vide seu contemporâneo, Final Fantasy VI e outros títulos que os sucederam, como Final Fantasy VII, VIII e Sword of Mana).
    As mais diversas situações encontradas no jogo e suas reações pelos personagens tornam esse título único e muito mais agradável do que outros RPGs da Quintet, especialmente se comparado ao Soul Blazer.
    O elemento principal do jogo é a habilidade de Will de mudar de forma. Como um action-RPG, Gaia tem basicamente um único membro jogável na equipe, mas permite ao jogador e ao herói mudar de forma de acordo com suas necessidades. Freedan é a segunda e mais interessantes das formas que Will pode tomar, além de filosoficamente duvidosa. Freedan é o cavaleiro negro (Dark Knight como é apresentado no jogo) e durante sua transformação, Will passa de brilhos luminosos para pontos de escuridão, enfatizando a mudança de “polaridade”. Freedan é adulto, com um alcance de arma maior que Will, carrega uma espada e aprende técnicas de longo alcance. É muito mais poderoso e eficaz em combate, e parece impiedoso. Ainda assim, é a forma mais interessante de se jogar.
    A terceira e última forma é do último guerreiro das sombras, Shadow. Esta forma é recebida bem no final do jogo e, mais uma vez, mostra que todos os poderes de Will estão centrados na escuridão ao invés da luz. É só ler, ele encontra Gaia num lugar chamado Dark Space, possui Dark Powers e se transforma em Dark Knight e Shadow Warrior. Ainda assim, Will é um herói e um salvador do mundo, estranho não? Shadow não possui grandes habilidades, mas é considerado o mais forte dos três e pode se tornar água (indispensável para vencer alguns chefes sem tomar dano). É, como o próprio nome diz, só uma sombra, embora em forma de chamas.
    A habilidade de mudar de forma e as habilidades únicas de cada forma dão ao jogador o mesmo valor de encontrar novos itens para seguir adiante no jogo, como em títulos como Zelda. Ainda assim, itens e habilidades se completam, atribuindo uma melhor sensação final ao jogo.
    Além disso, alguns elementos de jogo se misturam com a história de modo natural, e às vezes o jogo pode parecer tomar um rumo enquanto futuramente se desviará para sempre de tal função. Por exemplo, Will carrega consigo uma flauta como arma e a utiliza como instrumento para algumas canções mágicas no jogo, capazes de revelar lugares escondidos, fazer plantas crescerem e recuperar a memória das pessoas. Um elemento deste no jogo faria muitos jogadores pensarem em Ocarina of Time e, no entanto, as canções são esquecidas pelo jogo ao longo de seu curso (e ele gentilmente as tira de seu inventário para confirmar isso).
    Dentre os jogos da Quintet até o momento, Illusion of Gaia foi o mais linear e, possivelmente, o mais fácil deles. No final o jogador ainda tem que enfrentar todos os chefes do jogo novamente, mas ele pode salvar e curar depois dos dois primeiros, pelo menos. Além de o jogo permitir que o jogador vença o último chefe sem derramar uma gota de sangue se for esperto (sem exigir muita habilidade).
    A trilha sonora não é muito chamativa, exceto pelos temas mais sombrios e tristes, e a interface, principalmente dos diálogos, às vezes podem atrapalhar o jogador, por não serem as mais intuitivas. A única sidequest do jogo, de pegar joias vermelhas, tem recompensas boas mas não decisivas para o avanço do jogo.
    No final, uma das maiores influências nos jogos é o tempo. Seja de lançamento, seja o total para se terminá-lo, ou simplesmente quando foi experimentado. Ainda que não o mais impressionante dos RPGs do Super Nintendo (e todos sabem que esse é um dos melhores consoles para tal gênero da história), Illusion of Gaia, se jogador no tempo certo, quando o jogador quiser algo rápido e divertido, pode mostrar um grande valor. Totalmente recomendado.
    O mundo precisa de mais títulos rápidos e profundos como esse.

Comentários Extras:



  • A empresa Quintet foi fundada por ex-membros da Nihon Falcom e é possível traçar algumas características em comum dos jogos das duas empresas.
  • É o jogo mais linear de sua série.


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