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Título
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Bahamut Lagoon
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Série
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Nenhuma
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Gênero(s)
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Tactical-RPG
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Console(s)
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Super Nintendo
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Publisher
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Square
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Desenvolvedora
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Square
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Rank pessoal
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5.4/12
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Personagem
favorito
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Matelite
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Modo
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SP
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Inimigo mais
difícil
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Canhão
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Ano de
lançamento
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1996
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Ano jogado
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2012~2013
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Dificuldade
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Média
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Bahamut
Lagoon foi um dos últimos lançamentos da Square para o SNES, como muitos já
sabem, lançado exclusivamente no Japão em 1996 – último ano de lançamentos da
empresa para o sistema. Por conta de sua natureza tardia, Bahamut Lagoon tem
como grande vantagem o conhecimento técnico sobre a plataforma (por parte dos
desenvolvedores) a seu favor, por isso o jogo apresenta melhorias gráficas
consideráveis (até mesmo impressionantes) para um RPG no SNES (é só compará-lo
aos remakes do Dragon Quest I e II). Nesses aspectos técnicos, é de fato um
grande jogo, além de uma raridade e uma espécie de homenagem ao próprio Super
Nintendo.
Título
ambicioso, esse Bahamut Lagoon, em vários aspectos. Enredo épico e
melodramático, excelentes gráficos, jogabilidade quase única para o gênero, com
mesclas de RPG tático e lutas baseadas em turno (como um Final Fantasy), etc.
Até mesmo o desenvolvimento dos personagens e detalhe de movimentos e
animações, tudo parece grandioso em Bahamut Lagoon. Talvez tenha sido inspirado
na grandeza do rei dos dragões já conhecido pelos fãs dos jogos da Square.
E
por referenciar outro jogo da mesma editora, Bahamut seguiu os passos do último
Final Fantasy para o SNES e começou sombrio e perdido, embora não tão épico. O
enredo começa com o mundo encoberto pela guerra e um poderoso império esticando
seus dedos por todo o mundo, até que a terra natal dos personagens principais é
perdida (Kahna) logo no prólogo do jogo. A querida princesa do reino, Yoyo, é
sequestrada pelo imperador maléfico Sauzer e resta apenas aos heróis resgatá-la
com todas as suas forças.
O
mundo agora jaz numa suposta paz, uma vez que o Império Granbelos conquistou
todos os Lagoons (os pedaços de terra flutuantes que servem de moradia para as
pessoas, pois todo o resto é apenas céu) do mundo de Orelus, sendo Kahna sua
última conquista. Byuu, o protagonista do jogo, é o capitão de uma esquadra de
dragões da resistência contra Granbelos e une-se a vários companheiros numa
campanha a favor da libertação mundial e reconstrução do reino de Kahna.
Aqui
façamos uma pausa. É neste momento que o jogo mostra um de seus trunfos, os
dragões. Bahamut Lagoon possui basicamente dois tipos de unidades a se mover
nos campos de batalhas: humanos e dragões. Os humanos são compostos por grupos
de até quatro personagens, que andam representados por seu líder (visualização
do mapa) e possuem todos os comandos clássicos de um RPG tático (ataque de
perto, usar feitiços e poderes de longe ou perto, usar itens, etc).
O
outro tipo de unidade são os dragões. Poderosos, emotivos ou racionais,
estranhos, grotescos, malandros ou preguiçosos. Tudo depende do jogador.
Primeiro de tudo, os dragões não são controlados pelo jogador. Os comandos para
eles se limitam em “espere”, “venha” e “vai!”. Cada comando indica o nível de
agressividade do dragão, e o resto é por conta dele próprio. O comando venha
parece não fazer sentido, mas cada dragão está ligado a um grupo de humanos a
quem ele obedece (como um cachorro, ele entende comandos básicos mas o resto
faz por conta própria), e cada comando indica a distância que ele pode tomar de
seu dono. Cada dragão tem seu nível, vida, MP, e vários atributos como força e
destreza, além de elementos naturais (fogo, água, trovão, cura/luz e
veneno/escuridão). Embora o nível suba sozinho, a força do dragão está ligada a
esses atributos que são melhorados conforme o jogador o alimenta com qualquer
coisa (mesmo). Conforme esses atributos aumentam, principalmente os elementos e
força, o dragão pode mudar de forma, de uma grosseira para outra ainda mais
feia. E cada vez mais terrível e monstruoso, e bem distante do conceito de
dragão que muitos alimentam. Muito disso se dá via testes, até entender melhor
o processo no qual os dragões se transformam.
Após
o resgate da princesa Yoyo, coisa que não demora muito, o jogo muda de “salve a
princesa” para “salve o mundo”. E o exército da salvação passa a ir lagoon
(ilha) por lagoon libertando o povo nativo das forças de Granbelos. Durante
esse processo, eles descobrem que o objetivo de Sauzer estava no estranho poder
de Yoyo se comunicar com os dragões sagrados, relíquias de um passado longínquo
e com uma profecia de uma nova era, onde tudo no jogo se passa ao redor. Para
realizar esse sonho, Sauzer faria de tudo. Portanto Yoyo e sua trupe começam a
colecionar esses dragões sagrados, e a cada contato com eles, Yoyo passa a
guardá-los em sua mente e a utilizá-los como armas de destruição em massa nas
batalhas do jogo.
Com
o tempo Granbelos perde sua força perante esses heróis e os dragões levam Yoyo
e companhia para novos lugares acima dos céus. E alguma hora essa história
termina. Porém Square tenta mais do que só apresentar a trajetória dos heróis e
suas determinações para um mundo melhor. Aqui ela tentou aprofundar os
pensamentos, seus medos e indecisões dos personagens. Yoyo é uma princesa
frágil e medrosa, incapaz de realizar qualquer coisa. Com seus poderes, ela
mantém um contato próximo demais aos dragões sagrados e seus pensamentos. Toda
a sua fúria, sua dor, seu medo, fica internalizado na garota. Isso gera
preocupações em todos os outros membros da história, homens e mulheres, adultos
e crianças.
E
quantos membros! Bahamut Lagoon possui uma gama incomum de personagens
jogáveis, embora nem tanto para jogos táticos. Muitos personagens não ganham
tanta atenção ao longo do desenvolvimento do jogo, mas ainda podem ser
relembrados com algum carinho (principalmente Donfan e seu jeito mulherengo).
Muitos personagens permanecem pouco expressivos ao longo do jogo, parecendo
apenas que estão preenchendo vagas. Destes, alguns podem ser encarados com
alguma personalidade durante o desenrolar do enredo. Para cada capítulo
(imensamente longo e sem save point, mas chegaremos lá mais tarde), algo de
novo pode esperar o Byuu conforme conversar com seus amigos mais distraídos.
Porém o foco ainda são o quarteto inicial do esquadrão do Byuu (contanto com
ele) que representam a geração jovem, os membros adultos e guerreiros forte e
experientes seguindo as ordens de Matelite (Metálico para os mais íntimos), que
representa a geração adulta e dominante. E Sendak, o sênior (sem mais
palavras).
Parte
do jogo trata de relações entre gerações (de forma totalmente sutil e
subjetiva), com rebeliões e atitudes típicas da adolescência contra a raiva
explosiva e incompreensível dos adultos (e alguns flashs no Metálico – alguém
viu uma armadura brilhar?). Agressividade, impaciência e tristeza são
ingredientes comuns e muito bem representados no enredo do jogo e, de certa
forma, pouco comum nos jogos da época (e creio que de várias outras também). E
se o jogo explora tanto os sentimentos negativos, o que dizer da felicidade e
do amor?
Bahamut
Lagoon é um jogo japonês, sendo assim, o romance é apresentado de forma lenta e
subjetiva, com um final decepcionante. Tudo isso é sabido, mas o que surpreende
é o fato de Yoyo e Byuu não formarem o par principal! Nada de triângulos
amorosos, pois todos os jovens da nave tripulada Fahrenheit são apaixonados
pela princesa, o que descaracteriza o processo uma vez que a Yoyo é uma mosca
morta e não mostra sentimentos em especial por ninguém. Por Byuu, talvez, mas
nunca ficou claro no jogo, ainda mais pelas suas ações futuras que a distanciam
dele para todo o sempre. E até mesmo o velho do Matelite (Metálico) tem uma
queda pela garota (muito óbvia).
Nesse
sentido, já que o amor de 100% da tropa não é correspondido, é fácil ver porque
todo mundo se torna impaciente. A Square queria mesmo atingir um público-alvo
adolescente com esse tema.
Um
dos pontos positivos do jogo é sua inovação quanto às mudanças no campo de
batalha. Em muitos RPGs estratégicos, o cenário pode prover maior ou menor
defesa aos personagens. Bahamut Lagoon trata isso de forma diferente. O cenário
está a seu dispor. Isso mesmo. Três principais elementos em cenários de jogos
podem ser modificados ao longo da batalha. São estes: florestas, água e
construções. Como o famoso triângulo das armas em Fire Emblem, o cenário em
Bahamut Lagoon também se comporta como um triângulo, cada um respondendo a um
dos três elementos naturais representados no jogo: fogo, gelo e trovão, respectivamente.
Se um personagem usar uma técnica de fogo na floresta (no cenário aberto e não
numa luta próxima – que faz a tela mudar e dar um close na luta), então ela
pegará fogo e permanecerá assim por alguns turnos, causando dano em qualquer
unidade, aliada ou não, que entrar em seus domínios. Além disso, o fogo se
alastra até o final da floresta, não importando seu tamanho. Se gelo for usado
na floresta queimando, então o fogo se apaga (ou isso ocorrerá normalmente com
o tempo).
Seguindo
o mesmo pensamento, o gelo pode congelar a água e servir como ponte para
unidades terrestres (ou seja, todos menos os dragões). Se fogo for lançado
sobre o gelo, voltará a ser água e qualquer unidade sobre o gelo poderá morrer
afogada. O trovão é mais simples e sem volta, destrói uma construção, seja
muro, torre, castelos e fortes (que recuperam vida). Além disso, também podem
destruir outros elementos do mapa onde inimigos podem estar escondidos (como em
alguns capítulos especiais).
O
cenário também faz sua parte em inúmeras armadilhas e outras modificações que
Bahamut utiliza em seu curso inteiro. Como espinhos, buracos, flechas
escondidas nas paredes e mais. Até mesmo o último chefe, Alexander, é um
cenário e não uma unidade! Foi um dos usos mais inusitados para um cenário que
um jogo já fez.
Quanto
sua dificuldade, o título pode ser tanto um caminho limpo quanto uma trilha a
ser desvendada. O sistema de evolução dos dragões (que são o trunfo do jogo)
pode ser frustrante para quem não tiver paciência demais para testá-lo direito
(ou não tiver referências online de como usá-lo a seu favor). Mas o que
realmente torna o jogo difícil é seu sistema irracional e injusto de forçar o
jogador a salvar apenas entre capítulos. Muitos jogos táticos usam esse
sistema, como a própria série Fire Emblem, porém os capítulos costumam ser
razoavelmente curtos, com uma explicação simples do ocorrido e logo em seguida
saltando para a batalha (que poderia levar horas pra terminar). Ainda assim, o
save point entre capítulos pode ser injusto.
Bahamut
Lagoon eleva essa dificuldade à insanidade colocando longos prólogos pré-luta,
várias cenas nas quais o jogador precisa percorrer toda a nave em busca de
conversar demoradas com outros personagens para prosseguir, encontrar itens
secretos, comprar itens, trocar equipamentos (feito somente em lojas ou
diretamente nas lutas), alimentar os dragões (processo lento, empírico e sem
volta!) e, caso tenha paciência e não tenha medo da luz faltar em qualquer
momento, treinar.
Após
tudo isso, o jogador poderá se dirigir para a batalha principal e, caso vença
(somente se) poderá salvar. O jogo até mostra um menu pré-batalha para terminar
de organizar algumas coisas. Como distribuição dos humanos entre times, trocar
dragão, verificar seus níveis, equipamentos, etc. A escolha de treinar também
vem nesse menu, apontado como sidequest
(que de quest não tem nada). Seria muito menos dispendioso e enfadonho deixar o
jogador salvar aí, neste menu pré-luta (além de entre os capítulos).
A
situação dos saves se torna pior quando o jogo começa a empurrar como desafio
uns canhões que atacam de distâncias absurdas e podem devastar um time inteiro (sem
poderem ser revividos durante a luta até onde sei) em um único turno,
independente do dano que causar nos canhões. Isso acontece porque, como muitos
RPGs da época, um turno se move inteiramente o grupo aliado e no seguinte, é a
vez de todos os inimigos (destrua os canhões em um turno ou morra!).
Talvez
seja por isso que a Square deixou um presente para os felizardos que treinarem
direito seus dragões. Um deles, o principal dragão de fogo, a partir de sua
penúltima forma, se torna imortal. Isso mesmo, imortal. Com 9999 de vida que
nunca é reduzida e uma tenacidade absoluta, Salmando pode devastar inteiramente
sozinho toda a tropa inimiga, mesmo que isso lhe custe uns 300 turnos.
Portanto, este dragão imortal (muito bem representado como a fênix) é a principal
isca para inimigos complicados como os canhões.
Seja
com as magias, com os dragões domésticos ou os sagrados, todos os efeitos
visuais nas batalhas e fora delas em Bahamut são de “ok” para excelentes. A
trilha sonora não é a mais impressionante de todas, mas o tema da nave,
Fahrenheit a partir da segunda metade do jogo chama a atenção. O nível de
complexidade atingido pelo jogo é interessante, mas pode se tornar cansativo ao
forçar o jogador a ficar horas em frente a tela da TV (ou computador). No final,
Bahamut Lagoon é um jogo que deve ser jogado por partes. Não é viciante, mas
não é ruim. Tenta demais e acerta em algumas coisas e, no final de tudo, possui
nomes bizarros (não dá pra levar a sério um personagem chamado Palpaleos nem
outro chamado Bikkabakke, fora um coitado que sequer nome tem).
Comentários extras:
- Alexander, último chefe do jogo, aparece como summon e parte da história do Final Fantasy IX.
- Como já mencionado, Bahamut é outro personagem conhecido em Final Fantasy.
- O jogo marca a tendência do final daquela década da Square usar temas tristonhos e negros em seus jogos.


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