quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Alan Wake





Título
Alan Wake
Série
Alan Wake (?)
Gênero(s)
Horror/Action
Console(s)
Xbox 360
Microsoft Windows
Publisher
Microsoft Game Studios
Desenvolvedora
Remedy Entertainment
Rank pessoal
10.2/12
Personagem favorito
Alan
Modo
SP
Inimigo mais difícil
Chainsaw Taken
Ano de lançamento
2010
Ano jogado
2012
Dificuldade
Média


    Para uma experiência com jogos de terror, Alan Wake prova ser um importante diferencial do gênero, simplesmente por não usar zumbis como principais inimigos. Mas apenas fugir dos inimigos mais comuns em jogos de terror não é o bastante para realmente escapulir dos estereótipos e dos pré-julgamentos que muitos gamers podem fazer antes sequer de verem uma sombra do jogo.
    Nada de zumbis mutantes, ou fantasmas, ou vampiros e lobisomens, ou aliens grotescos e assustadores, Alan Wake se apoia num medo que sempre esteve ao lado de todos esses elementos horripilantes nas histórias de terror e suspense. Bom, não apenas um, mas o mais importante pelo menos: o escuro. E não somente o escuro por si só, mas o que a escuridão traz consigo, quais temores se esgueiram nas sombras, temores que pouco se importam se seus olhos estão ou não virados para eles. Alan Wake tenta ensinar a seus jogadores desde o começo para não se aventurarem no escuro sem alguma proteção, e qual proteção mais eficaz contra as sombras do que a própria luz? Assim sendo, nunca se separe de sua lanterna! Você vai precisar dela – o tempo inteiro –, pois aproximadamente por 12 horas você não terá o sol para se proteger.
    Mas quem enfrentaria toda essa escuridão, para começar? O nome do jogo é um pouco sugestivo, mas para quem não conseguir captar assim mesmo, vamos lá. Alan Wake é o protagonista do jogo e, mais interessante do que isso, um escritor. Uma história de terror na visão de um escritor, não um amador, mas um escritor profissional com livros famosos e bem sucedidos, não é todo dia que se vê isso. Dois anos atrás o senhor Wake planejou um novo livro que jamais começou a escrever. Atordoado pelo trabalho cansativo e a falta de paz para mergulhar num novo projeto, Alan propôs a sua esposa, Alice, umas boas e relaxantes férias numa cidade do interior chamada Bright Falls.
    Bright Falls possui um cenário esplêndido, digno de um bom filme ou livro, e uma cabana na beira do lago, de frente para uma cadeia de montanhas foi o pedacinho de chão que Alan Wake conseguiu para fazer de descanso. Perfeito, não? Foi o que ele achou, pobre Alan, não poderia estar mais enganado.
    Alan Wake retrata a visão de um pesadelo: perseguições, inimigos que parecem imortais, mais fortes e rápidos do que você, cenários que se movem para prendê-lo, etc. Às vezes envolvendo uma busca por algo ou alguém. No pesadelo de Alan, ele deve encontrar sua esposa desaparecida. Após uma discussão na beira do lago e de alguns minutos fora da cabana, o escritor percebe que sua esposa passava por problemas e, ao tentar resgatá-la de um possível acidente, Alan é jogado uma semana no futuro, num lugar bem, bem longe do lago onde alugara a cabana e sem nenhuma pista do que estava atrás dele.
    O enredo do jogo aos poucos guia o jogador para a verdade, que tarda a ser revelada mas não no último momento do jogo, ainda bem, pois o último momento do jogo pode gerar certas frustrações a gamers, digamos, sem tanto poder aquisitivo assim (pelo menos na versão do Xbox 360). O mistério e suspense do jogo é posto em forma de livro, páginas e páginas de passado, presente e futuro escritos sob o título que Alan Wake jamais começou a trabalhar. Os manuscritos do livro são coletados ao longo da aventura e podem ser acessados quando quiser. Essas páginas muitas vezes retratam acontecimentos presentes nos momentos próximos ao que a página fora encontrada, dando ao jogador uma perspectiva diferente da narrativa das situações vividas pelo escritor. Tudo feito claro com a qualidade de um profissional, como um livro de verdade.
    Porém nem só de palavras é feita essa grande história, Alan Wake exibe cenas num padrão semelhante a de um filme ou seriado. Jogos com cenas cinematográficas já não são novidades faz muitos anos, mas a divisão das fases do jogo por episódios e uma entrada em cada episódio contando um resumo do episódio anterior, aliado a um encerramento de episódio com uma música tema diferente para cada um deles, realmente dá ao jogador a sensação de estar, em algum momento, assistindo um show na TV. É claro que o jogo faz muito bom uso dessa sensação, e adiciona ao universo de Alan Wake, em dados momentos, a oportunidade de o jogador ligar a TV e assistir programas de televisão durante a madrugada turbulenta de Alan nos embates contra as sombras, programas esses de terror, só para aumentar a tensão no ar. O mesmo acontece com os programas de radio, embora estes não sejam de terror, ao menos.
    Os inimigos em Alan Wake são seres tocados pela escuridão, tomados por ela e usados como instrumento de terror, prontos para capturar o escritor e qualquer um que estiver próximo a ele. No inglês, estes seres são chamados de taken. A única forma de vencê-los é destruindo a camada de escuridão que os protege (e que usam mesmo na calada da noite), Alan Wake quase sempre faz isso com o uso de sua lanterna que, com o passar do tempo, torna-se uma aliada indispensável e inseparável de Alan (e do jogador, claro). Apesar de o número de tipos de inimigos não variar muito no jogo, Alan Wake abusa das diversas situações possíveis em que o perigo pode surgir. O cenário quase sempre é no meio da mata, onde a luz da lua faz as sombras se moverem ao redor do escritor solitário e o confunde com os movimentos silenciosos de seus perseguidores. O jogo é educado o bastante para lhe avisar quando eles estão realmente se aproximando, mas a tensão existe do mesmo jeito.
    O ambiente aberto e solitário ajuda bastante a aumentar a preocupação do jogador, principalmente quando este é obrigado a passar por casebres apertados e passagens estreitas, quase nunca sendo surpreendido com o pensamento “Eu sabia que isso iria acontecer!”. Mas ainda que haja tais situações de perigo em ambientes fechados, o destaque do jogo está nos belíssimos e detalhados cenários abertos. Como qualquer jogo do gênero, Alan Wake faz bom uso da iluminação e som para manter o jogador sempre em alerta. Essa iluminação posta sobre cada rocha, cada árvore, cada arbusto, faz com que a escuridão tome uma proporção muito maior, já que todos esses objetos projetam sombras ao seu redor em tempo integral.
    Após um longo episódio de suspense e tensão enfrentando diversos inimigos e perigos, o jogador é recompensado com uma ótima cutscene sucedida de uma música de encerramento. A imagem é a mesma sempre, enfatizando o título do jogo e lhe dando um aspecto de programa de TV, mas mesmo que o título pudesse gerar algum medo no jogador, ele provavelmente estaria muito satisfeito ao vê-lo, podendo finalmente descansar enquanto o episódio termina tranquilamente. Mesmo quando o jogo cansa um jogador com o tamanho de seu episódio, o final deste provavelmente lhe deixará curioso com a continuação da história.
    O único real problema com Alan Wake (pelo menos na versão do Xbox 360) é que o final do jogo se mostra muito parcial, incompleto, deixando uma série de dúvidas na mente dos jogadores. Para saber o final, é preciso baixar os dois últimos episódios DLC. Pelo menos os jogadores no PC não terão esse problema, apesar de terem esperado quase dois anos para receberem a versão definitiva do jogo rodando na plataforma Microsoft em computadores. Acontece que, mesmo com os capítulos extras, Alan Wake não possui um final satisfatório para quem busca todas as respostas do jogo (e algumas bem importantes, quanto ao objetivo do escritor).
    Alan Wake é um grande jogo, mas para ser apreciado por inteiro, é sugerido que os jogadores gostem de uma boa história, com uma narrativa surpreendente e uma atmosfera viciante. Alan Wake é como um livro, ele conta uma história e, caso o jogador queira apenas atirar num monte de inimigos, é sugerido outro jogo do gênero. Mesmo para jogadores que nunca tiveram contato real com um jogo de terror, Alan Wake é digno de ser pelo menos testado, é um jogo que todo gamer de verdade deveria pelo menos dar uma longa espiada, por que quem sabe um dia você também não precise enfrentar o escuro?

Comentários Extras:


  • Uma das bandas que participa da trilha sonora do jogo, Poets of The Fall, já havia participado de outras trilhas de jogos da mesma produtora, incluindo uma de suas músicas na série Max Payne.
  • Poets of The Fall é responsável pela música “The Poet and the Muse”, tema do episódio 5 e parte do enredo do jogo. A banda atendeu pelo nome fictício The Old Gods of Asgard para tocar essa música no jogo.
  • Alan Wake demorou em torno de 5 anos para ser produzido, tempo incomum para os padrões de hoje.
  • O jogo teve como sua principal inspiração de enredo os livros de Stephen King, e é possível traçar semelhanças também com o filme Janela Secreta.

Fonte da imagem: geekmaker.wordpress.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário