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Título
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Rance 2
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Série
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Rance
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Gênero(s)
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Adventure-RPG / eroge
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Console
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PC98, Windows
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Publisher
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Alicesoft
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Desenvolvedora
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Alicesoft
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Rank
pessoal
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6.3/12
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Personagem
favorito
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Sil
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Modo
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SP
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Inimigo
mais difícil
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Death Girl
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Ano
de lançamento
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1990, 2009
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Ano
jogado
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2013
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Dificuldade
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Baixa
(alta em determinados pontos)
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Tempo
Estimado
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15
horas
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Há muito que o Japão mantém
muito de sua cultura aparte do mundo. No que tange o mundo dos jogos, grandes publishers escolhiam e ainda escolhem a
dedo o que deve ou não sair de seu país e cruzar o mundo. Isso é ainda pior
quando se trata de jogos de pequenas e independentes empresas ou grupo de
entusiastas, produzindo os chamados doujinsoft,
os quais quase nunca enxergam o que h’a fora da terra do sol nascente. Boa
parte da cultura dos jogos permanece quase inatingível para qualquer gamer
ocidental (sem considerar os demais países asiáticos com uma cultura ainda mais
impenetrável). Muitas vezes esse fato é totalmente irrelevante, considerando o
foco atual (e provavelmente também antigo) em jogos mais “acessíveis” para o
público em geral ou de gêneros mais bem recebidos pelas massas.
É sabido que as preferências
japonesas podem ser estranhas aos olhos estrangeiros, tediosas ou apáticas por
seus gêneros favoritos, geralmente baseados em jogos com grande volume textual.
Porém isso evolui até desgosto, desconforto ou completa ignorância quando se
trata de jogos com conteúdo adulto. Após a difusão da cultura popular japonesa
em animes, jogos e mangás ao redor do mundo, parte dos jovens jogadores
descobriu que o Japão investe razoavelmente em materiais destinados a maiores
de idade. Isso não foge ao mundo dos jogos, sendo conhecidos por eroge lá.
Diversos desses jogos recaem
sobre um dos destes dois gêneros principais: RPG e visual novel. Numerosas
pequenas companhias de software trabalham e trabalharam em projetos adultos
desde a popularização dos videogames. Entre elas, encontra-se o estúdio
Alicesoft, criador da série de RPG Rance que conta com cerca de oito (8) jogos
lançados oficialmente e alguns remakes.
Essa série conta as aventuras de
um suposto herói chamado Rance e sua escrava Sil. Devido à natureza de Rance,
que se recusa a seguir o caminho tradicional de um herói como visto
romanticamente nos jogos e livros, a série termina por apresentar um conteúdo
mais pesado e às vezes desconfortável. Rance é machista, grosso, estúpido de
várias maneiras, inculto (analfabeta), etc. Esse perfil de herói é raro no
mundo dos jogos, mas dá ao Rance uma sensação mais realista de como uma
aventura num ambiente medieval seria. Rance não é exatamente medieval no
sentido tradicional visto nos jogos (muito sobre o universo de Tolkien), mas
não é igualmente distante desse cenário. Esse maior realismo é distorcido para
os interesses dos jogos e revela as dificuldades vividas pelas mulheres em
épocas passadas. Ou como seria difícil tais vidas em um cenário de fantasia
medieval.
Contrabalanceando Rance e sua
atitude às vezes malvada e sempre egoísta, existe Sil, a escrava de Rance de
bom coração e mais adequada para o posto de heroína do que seu mestre. Sil
gosta de ajudar o próximo, é inocente e fiel. E também constantemente
perturbada por Rance. Durante o jogo um pouco de romance entre os dois flora e,
embora tratado de forma mais madura que as demais histórias românticas
japonesas, o jogo ainda não explora muito esse ponto.
O primeiro jogo retrata o caso
de uma estudante desaparecida. Rance toma o papel de investigador e busca
desvendar o caso que estava ligado com múltiplos outros casos semelhantes de
jovens mulheres raptadas. No fim, é revelado ao jogador que a rainha lésbica
era a responsável por tais atos.
O enredo do segundo jogo é um
pouco mais profundo e narra a história de uma cidade vítima do confronto entre
um mago sênior e suas discípulas envolvendo quatro (4) anéis mágicos. Do
resultado desse confronto, o mago – Raghiss – é assassinado e a cidade é
submersa na terra, passando a residir dentro de uma caverna. Os habitantes se
tornam prisioneiros dessa caverna, pois uma forte barreira mágica os impede de
saírem de lá. As discípulas, em igual número dos anéis, criam um labirinto em
torno do vilarejo infestado de monstros para tornar tudo ainda mais difícil.
Aceitando o trabalho pelo seu mestre, Sil e Rance são forçados a irem resolver
esse problema.
Descobre-se posteriormente que a
única maneira de retirar os anéis mágicos das discípulas é deflorando-as
(convenientemente para o enredo desse tipo de jogo), e isso termina boa parte
do enredo da aventura. Felizmente a história não para aí e adiciona algumas
reviravoltas para tornar tudo decente.
Quanto ao gameplay, Rance é uma
boa mistura de RPG e aventura, principalmente as aventuras gráficas baseadas em
menu. Esse modelo de jogo persiste desde o primeiro deles e inclui uma série de
elementos típicos de ambos os gêneros, como evolução dos personagens por
níveis, possibilidade de trocar equipamentos, quebra-cabeças e investigação de
cenário.
A versão mais acessível do jogo
é o remake de 2009 lançado pelo estúdio Alicesoft e traduzido por fãs, versão a
qual possui melhores gráficos e uma trilha sonora de maior qualidade. O jogo
não é longo demais, porém os quebra-cabeças podem levar tempo e as lutas,
embora simples e sempre contra um único adversário, são cada vez mais
prolongadas à medida que se avança nas cavernas. Alguns inimigos são
particularmente difíceis e possuem alta chance de fugir da batalha, deixando o
time de heróis (que varia por capítulo do jogo) sem nenhuma recompensa pelos
danos recebidos.
Apesar do aumento de personagens
em comparação com seu antecessor, Rance 2 apenas permite que o jogador controle
o líder do time, e o restante dos personagens é controlado por inteligência artificial.
Observando a simplicidade dos embates e a baixa dificuldade geral do aventura,
não há perdas demais nesse estilo de game design, mas ainda é um fator negativo
pro jogo.
O maior problema de Rance 2, no
entanto, são as (felizmente) poucas imagens de fato perturbadoras que o jogo
praticamente força o jogador a ver. Pessoas sensíveis deveriam ignorar esse
jogo como um todo e mesmo quem é mais resistente a algumas cenas violentas
poderia se sentir ultrajado por alguns pontos específicos da história. Por
sorte nada disso dura muito e o pequeno romance que Rance 2 explora equilibra
um pouco o mau gosto que sua insensibilidade deixa na boca de seu jogador.
Comentários extras:
●
Alguns inimigos no jogo fazem referência a
computadores antigos como o X68000 e o FM-TOWNS.
●
Para ver todas as imagens do jogo, é necessário
grind por dinheiro e level.
●
Death Girl é um inimigo que pode matar ambos os
personagens com apenas dois golpes.


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