sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Rance 2


Título
Rance 2
Série
Rance
Gênero(s)
Adventure-RPG / eroge
Console
PC98, Windows
Publisher
Alicesoft
Desenvolvedora
Alicesoft
Rank pessoal
6.3/12
Personagem favorito
Sil
Modo
SP
Inimigo mais difícil
Death Girl
Ano de lançamento
1990, 2009
Ano jogado
2013
Dificuldade
Baixa (alta em determinados pontos)
Tempo Estimado
15 horas


    Há muito que o Japão mantém muito de sua cultura aparte do mundo. No que tange o mundo dos jogos, grandes publishers escolhiam e ainda escolhem a dedo o que deve ou não sair de seu país e cruzar o mundo. Isso é ainda pior quando se trata de jogos de pequenas e independentes empresas ou grupo de entusiastas, produzindo os chamados doujinsoft, os quais quase nunca enxergam o que h’a fora da terra do sol nascente. Boa parte da cultura dos jogos permanece quase inatingível para qualquer gamer ocidental (sem considerar os demais países asiáticos com uma cultura ainda mais impenetrável). Muitas vezes esse fato é totalmente irrelevante, considerando o foco atual (e provavelmente também antigo) em jogos mais “acessíveis” para o público em geral ou de gêneros mais bem recebidos pelas massas.
    É sabido que as preferências japonesas podem ser estranhas aos olhos estrangeiros, tediosas ou apáticas por seus gêneros favoritos, geralmente baseados em jogos com grande volume textual. Porém isso evolui até desgosto, desconforto ou completa ignorância quando se trata de jogos com conteúdo adulto. Após a difusão da cultura popular japonesa em animes, jogos e mangás ao redor do mundo, parte dos jovens jogadores descobriu que o Japão investe razoavelmente em materiais destinados a maiores de idade. Isso não foge ao mundo dos jogos, sendo conhecidos por eroge lá.
    Diversos desses jogos recaem sobre um dos destes dois gêneros principais: RPG e visual novel. Numerosas pequenas companhias de software trabalham e trabalharam em projetos adultos desde a popularização dos videogames. Entre elas, encontra-se o estúdio Alicesoft, criador da série de RPG Rance que conta com cerca de oito (8) jogos lançados oficialmente e alguns remakes.
    Essa série conta as aventuras de um suposto herói chamado Rance e sua escrava Sil. Devido à natureza de Rance, que se recusa a seguir o caminho tradicional de um herói como visto romanticamente nos jogos e livros, a série termina por apresentar um conteúdo mais pesado e às vezes desconfortável. Rance é machista, grosso, estúpido de várias maneiras, inculto (analfabeta), etc. Esse perfil de herói é raro no mundo dos jogos, mas dá ao Rance uma sensação mais realista de como uma aventura num ambiente medieval seria. Rance não é exatamente medieval no sentido tradicional visto nos jogos (muito sobre o universo de Tolkien), mas não é igualmente distante desse cenário. Esse maior realismo é distorcido para os interesses dos jogos e revela as dificuldades vividas pelas mulheres em épocas passadas. Ou como seria difícil tais vidas em um cenário de fantasia medieval.
    Contrabalanceando Rance e sua atitude às vezes malvada e sempre egoísta, existe Sil, a escrava de Rance de bom coração e mais adequada para o posto de heroína do que seu mestre. Sil gosta de ajudar o próximo, é inocente e fiel. E também constantemente perturbada por Rance. Durante o jogo um pouco de romance entre os dois flora e, embora tratado de forma mais madura que as demais histórias românticas japonesas, o jogo ainda não explora muito esse ponto.
    O primeiro jogo retrata o caso de uma estudante desaparecida. Rance toma o papel de investigador e busca desvendar o caso que estava ligado com múltiplos outros casos semelhantes de jovens mulheres raptadas. No fim, é revelado ao jogador que a rainha lésbica era a responsável por tais atos.
    O enredo do segundo jogo é um pouco mais profundo e narra a história de uma cidade vítima do confronto entre um mago sênior e suas discípulas envolvendo quatro (4) anéis mágicos. Do resultado desse confronto, o mago – Raghiss – é assassinado e a cidade é submersa na terra, passando a residir dentro de uma caverna. Os habitantes se tornam prisioneiros dessa caverna, pois uma forte barreira mágica os impede de saírem de lá. As discípulas, em igual número dos anéis, criam um labirinto em torno do vilarejo infestado de monstros para tornar tudo ainda mais difícil. Aceitando o trabalho pelo seu mestre, Sil e Rance são forçados a irem resolver esse problema.
    Descobre-se posteriormente que a única maneira de retirar os anéis mágicos das discípulas é deflorando-as (convenientemente para o enredo desse tipo de jogo), e isso termina boa parte do enredo da aventura. Felizmente a história não para aí e adiciona algumas reviravoltas para tornar tudo decente.
    Quanto ao gameplay, Rance é uma boa mistura de RPG e aventura, principalmente as aventuras gráficas baseadas em menu. Esse modelo de jogo persiste desde o primeiro deles e inclui uma série de elementos típicos de ambos os gêneros, como evolução dos personagens por níveis, possibilidade de trocar equipamentos, quebra-cabeças e investigação de cenário.
    A versão mais acessível do jogo é o remake de 2009 lançado pelo estúdio Alicesoft e traduzido por fãs, versão a qual possui melhores gráficos e uma trilha sonora de maior qualidade. O jogo não é longo demais, porém os quebra-cabeças podem levar tempo e as lutas, embora simples e sempre contra um único adversário, são cada vez mais prolongadas à medida que se avança nas cavernas. Alguns inimigos são particularmente difíceis e possuem alta chance de fugir da batalha, deixando o time de heróis (que varia por capítulo do jogo) sem nenhuma recompensa pelos danos recebidos.
    Apesar do aumento de personagens em comparação com seu antecessor, Rance 2 apenas permite que o jogador controle o líder do time, e o restante dos personagens é controlado por inteligência artificial. Observando a simplicidade dos embates e a baixa dificuldade geral do aventura, não há perdas demais nesse estilo de game design, mas ainda é um fator negativo pro jogo.
    O maior problema de Rance 2, no entanto, são as (felizmente) poucas imagens de fato perturbadoras que o jogo praticamente força o jogador a ver. Pessoas sensíveis deveriam ignorar esse jogo como um todo e mesmo quem é mais resistente a algumas cenas violentas poderia se sentir ultrajado por alguns pontos específicos da história. Por sorte nada disso dura muito e o pequeno romance que Rance 2 explora equilibra um pouco o mau gosto que sua insensibilidade deixa na boca de seu jogador.
Comentários extras:

     Alguns inimigos no jogo fazem referência a computadores antigos como o X68000 e o FM-TOWNS.
     Para ver todas as imagens do jogo, é necessário grind por dinheiro e level.
     Death Girl é um inimigo que pode matar ambos os personagens com apenas dois golpes.




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